Zunfus Trunchus

O primeiro desses temas é a música. Quem não gosta de música ou nunca assoviou algumas notas? Que rockeiro nunca ficou com “Renata ingrata” grudada na mente, ou que patricinha nunca ouviu Angra e desferiu o infame comentário, “odeio rock pauleira!”.? Mas como lavagem cerebral não deve ser feita (porque ela funciona!), meu intuito é falar da qualidade de nossos músicos e o amor por aquilo que eles fazem ou deveriam fazer (entenda-se por música). Não citarei aqui os músicos da categoria “mamãe to na TV e sou artista”. E sim qualidade de músicos, pseudomúsicos e suas músicas, que são definidas pela palavra “atitude”.
A atitude é aquilo que está contido tanto na 5° sinfonia de Bethoven como na célebre “Papai Noel filho da puta” dos Garotos Podres. É a paixão e a crença naquilo que se toca ou se canta. Não estou aqui dizendo que todo o músico deva ter a genialidade de Frank Zappa (Califórnia), a presença de Jimi Hendrix(Seatle), a destreza na guitarra de Malmsteen (Suécia) ou o censo melódico de Tom Jobim (Rio de Janeiro). Mas Aquelas músicas onde o Chimbinha (Calipso) fica numa nota só é sacanagem né!!
Porém, como negar e simplesmente fazer de conta que não existiram músicos como: Mozart (Alemanha) e suas 44 obras compostas após a surdez, Tommy Iommi (Inglaterra), que perdeu a ponta de dois dedos e continua sendo um dos guitarristas mais influentes do rock com o Black Sabbath, Jason Becker (Los Angeles). genial guitarrista que ainda compõe mesmo estando tetraplégico, ou ainda a Tribo de Jha (Recife), onde dois de seus integrantes são cegos e ainda assim produzem o melhor que o reaggae brasileiro tem apresentado.
Ao invés de ouvirmos e bebermos da fonte de boas canções ou bons exemplos, nos contentamos com Charlie’s Brows Jr’.s, que como diria Raul Seixas, é uma banda “que não inventa nada mas é boa em copiar”. Basta escutar o que outros grupos estão fazendo lá fora. Ou Jota’s Quest’s que, nas palavras de Humberto Gessinger são “a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes”. Grande exemplo disso são bandas como CPM 22, que fazem playback em algumas músicas do seu “show” ao vivo e dizem em entrevistas que tinham vontade de inovar, mas pensando em seus fãs decidiram manter a linha “eu te amo” e “Bush não presta” de suas canções. Poucas são as bandas como Los Hermanos (Rio de Janeiro), ou músicos como Jammie Cullum (Inglaterra), que passam de um Cd com apenas uma música conhecida, como Ana Júlia, para um segundo Cd com nenhuma música de sucesso comercial imediato, mas que no ano seguinte ganharia o prêmio de melhor Cd no ano no país.
Os nossos heróis nem sequer podem “morrer de overdose”, pois não haverá novos para substituí-los. Prova disso é a volta a ativa de grupos como Rádio táxi, A Cor do Som e Mutantes. Todos com integrantes com mais de 45 anos.
Música de verdade é aquela que não tem faixa etária ou classe social definida, é aquela que busca instigar o ouvinte e o agrada por conseqüência e não por objetivo. Afinal um músico não é um prestador de serviços ou animador de festas, para ter que dar aquilo que o público quer. Mas infelizmente é o que acontece em 99% das bandas. Ou você nunca percebeu que a faixa 3 e 7 de todos os Cds são sempre as faixas comerciais e que vão fazer sucesso nas rádios? (Mas isso é papo pra outro texto).
Por isso Osclepíades, não faça como o Pato Fu diz na canção A necrofilia da arte, “Zunfus Trunchus que eu nem conhecia, virou meu star no outro dia”. Graças aos deuses do rock ainda temos Nação Zumbi, Rogério Scaylab e Futureheads.
Ouça: Rumble de Link Wray. Prova máxima do que é atitude musical. Essa música foi proibida de de tocar nas rádios acusada de incitar a violência, e pasmem ela é apenas instrumental. Muita estrela e pouca constelação de Raul Seixas e Camisa de Vênus, música com tema atual e letra inteligentíssima e engraçada.

